CineBaru 2018: Manifesto e Programação

CLIQUE AQUI PARA CONHECER A PROGRAMAÇÃO DO CINEBARU 2018

 

Desejos de sementes de um Festival em construção

logo_cinebaru2018

[CineBaru, 2ª edição: 18-21 de outubro de 2018]

Me lembro bem dos brilhos dos olhos, dos sorrisos e feições de cada um ali sentado no simples ato de assistir, das crianças correndo ou até dançando em resposta aos filmes, da pipoca, das bocas cheias e o quão bonito se dava tudo aquilo em sua significância “cinema no certão?” aquilo me soava tão bem e ainda me soa isso de desconstruir o que nem é do sertão, trazer filmes que dizem daquele povo com o poder do cinema nesse lugar.

[Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo para realização do CineBaru]

Era sentado à beira da fogueira, na calçada de casa e na rua feita de crianças que ouvíamos e contávamos as primeiras estórias. Faz um tempo chegaram também as primeiras estórias feitas de imagem e movimento. O cinema. Esse, para muitos Miguilins, era feito na Paróquia, com 20 polegadas de TV, uma baciada de pipoca e uma fita cassete da A bela e a Fera. Hoje, Diadorinas e Manuelzões fazem cinema.
Cinema. construção de pensamento e ação permitindo-nos a ser pequenos frente a tela. Brotar maravilhamento.
Reflexão para uma comunidade que se apropria de recursos audiovisuais para contarem suas histórias. Criar e trocar narrativas dos afetos com o território.
Tomar o que nos pertence apropriando-se do imaginário e das linguagens audiovisuais produzindo circulação das narrativas de encantamento. Nós.

Cinema e Ser-tão. Sonhar e ser no sertão. Descobrir(-se) (n)as histórias contadas, aprendendo com os mais velhos, com as crianças, com as tradições.
A busca pela inteireza da sabedoria da terra, a troca de afetos e a ancestralidade, através do singelo olhar das guardiãs e guardiões sertanejos.
Potencializar a beleza das vivências e, por meio do cinema e do diverso, expressar gratidão aos parentes geraizeiros.

Provocar a reflexão sobre o “onde adentro” e o quão complexo pode ser o território de sentidos que são os Gerais.
Desconstruir fronteiras e construir afetos, pensar esse território baiangoneiro social e culturalmente, para além dos limites imaginários.
Pensar o Sertão, o Gerais das trijunções do Cerrado Central a partir da beleza e sensações.
Desterritorializar o que outrora foi sempre considerado menor, para territorializar em novo pedaço de terra que carrega o nome de semente…

Ver na tela olhares diversos sobre o estar no mundo, mostrando que temos infinitas possibilidades de enxergar a vida e podemos escolher uma que veja diversa, bela e leve.
Provocar o imaginário coletivo, uma outra forma de experiência cultural.
O desejo de tentar prover possibilidades aos que neste momento de incertezas do país, possam querer, ou precisar, de uma abertura para outros caminhos.
Uma abertura de possíveis. O imaginário em tela, que salta do cotidiano da vida de gente como a gente.
Na labuta cotidiana do estímulo à curiosidade, o que é estranho movimenta, no mínimo.
Provocar a reflexão sobre o re-conhecimento em si, do outro.
O encantamento nos olhos daquela pessoa vendo aquela tela grande no campinho nos coloca, ambas, encantadas com a diferença e, desse desejo à fricção, semeia-se em uma terra fértil à diversidade e à pluralidade de possibilidades.
O CineBaru há de ser tela para prosas descolonizadas e sementeira dos mundos que podemos criar.

Mais que estar em, o desejo de estar com; da terra pra tela e, feito vento, pro mundo – e de volta pra terra, pra que ecoe em nós antes que pretendamos ecoar.
Explorar modos de estar/fazer junto, com coração, afeto. Erros e acertos celebrados pela beleza que é saber que estamos nos permitindo criar.
Expandir e sensibilizar nossos olhares por meio dos encontros, dentro e fora da tela.
Encontros que proporcionem aprendizados muitos; são essas formas de sociabilidades que nos permitem ser e crescer.
Ser coletivo e diálogo para transformações.
Teceduras de força como a criança que cria sua própria pipa e a faz voar utilizando toda força de toda sua linha! “Sertão Certão!”
Que faça luzeiro potente no encontro de cada olhar brilhoso e não como luz no horizonte, distante.

Ser movimento político; de resistência, luta e posicionamento. Ser coração e fluxo contrário: da comunidade para o indivíduo.
Festejar e inventar, atravessar, confundir, escrever e ler alto, deixar riscar, embaralhar e ver o que sai de novo, vozes se cruzando, das cadeiras, das rodas, das caixas de som, tocadas pela literatura de Guimarães Rosa, pelos caminhos do Reisado e pela maravilha do cinema, cachoeira mas tela grande, estalando.
O festejo, o rito, ouvir e criar memórias.
Vida que se faz presente em sua potencialidade: brincadeiras, tramas, raízes, arte…Cinema. Ver vida! Semilha. (Re)existência! (Re)invenção.

Conheça a nossa campanha de financiamento coletivo para realização do CineBaru

Anúncios